quarta-feira, junho 8

"Coração não é tão simples quanto pensa. 
Nele cabe o que não cabe na despensa." 

A Banda Mais Bonita da Cidade

sexta-feira, abril 29

"Por qué no dice nada?"

Porque temos um Presidente da república que só fala ao país pelas redes sociais. Então e quem não tem internet? Um perfil de Facebook? Então e o meu avô de 80 anos? E os seus vizinhos que moram ali numa aldeia pequena nos arredores de Castelo Branco?


domingo, abril 10

O Pescador

Há uns tempos no centro comercial Fonte Nova, estava um senhor velho sentado num pequeno muro central de uma fonte, daquelas que decoram as "praças" centrais dos espaços públicos comercias.

Ao passar por ele vi que era louco. Sozinho, reclinado para baixo, mexia no ar os braços como que a puxar alguma coisa. E seleccionando essas mesas coisas, punha algumas de parte, ao seu lado em cima do pequeno muro. Toda a gente que passava por ele, olhava com aquele ar de quem vê um maluco que está perdido. Eu olhei também. Mas pus-me a pensar onde estaria aquele velho na verdade?

Pelos movimentos dos seus braços, imaginei-o como um pescador, numa paisagem à beira-mar com um velho barco de madeira colorido, queimado pelo sol a seu lado. Ele estava a recolher redes de pesca, e ia seleccionando as boas das más. Na minha cabeça, a paisagem do centro comercial, progressivamente começou a transformar-se na praia, dando lugar à areia onde estava o soalho do chão, e o muro onde o velho estava sentado era agora uma rocha. O segundo piso de lojas abria-se em céu azul claro e brilhante.

Não pude deixar de imaginar o que ia na sua cabeça. Nós os que passávamos, e olhávamos incrédulos estávamos tão somente naquele centro comercial e dali não podíamos sair, era essa a nossa realidade. Estamos presos a ela. Mas o velho, o velho estava a viver noutro mundo, noutra realidade. E estaria também a viver a nossa?

Essa foi a questão que me acompanhou enquanto me afastava. Terá ele acesso às duas realidades? Terá acesso a mais de duas, alias? Ele é que está bem pensei eu. É pescador, e é um velho no centro comercial nos seus momentos de lucidez. Nessa altura, apeteceu-me sentar ao seu lado e ajudá-lo a recolher aquele monte grande de redes emaranhadas. Estaria ele grato por isso? Teria alguma consciência do que estaria eu a fazer? Sentiria a minha compaixão por não o deixar ali sozinho, aos olhos discriminadores dos outros, a recolher redes?

Gosto de malucos, vejo-os como seres fascinantes, nunca se sabe o que vai ali dentro, e podem ser tantas, tantas coisas. Mas o que acho mais interessante é a liberdade que têm. Podem estar, ser o que quiserem, onde quiserem e simplesmente voltar.

sábado, março 12

segunda-feira, fevereiro 14

Porque merece.

Para quem ainda não viu, e mais do que ver, ouvir. Querem músicas de intervenção? Esta arrepia, porque é crua e tão somente assenta na verdade.




Cantada em plena liberdade de expressão e comparada aos "Vampiros" de Zeca Afonso. A força da analogia diz tudo.

quinta-feira, janeiro 6

Regresso demorado

Serve este meu regresso repentino, e super atrasado para retornar aos primeiros tempos deste Blog. Bem sei que se por ventura alguém lê o Estômago Vertical, não estarão certamente aqui desde o início.

O tema é repetido como poderão ver aqui. Vou falar-vos (mais uma vez) sobre as TED Talks. Estas mesmas que serviram de base para o meu primeiro post de todos. O que são? Deixem-me deixar-vos com um excerto do passado, palavras minhas em repetição, que servem para vos deixar com um contexto:

"Ideas Worth spreadding é o slogan das TED que é excelente e bastante representativo. As TED (Technology, Entertainment, Design) são conferências que acontecem todos os anos nos Estados Unidos, e onde se fala de TUDO! Tudo mesmo. Apesar de inicialmente serem dirigidas às áreas da tecnologia, entretenimento e design, por esta altura as TED falam sobre muito mais do que apenas gadgets tecnológicos. E devo dizer que é muito interessante.

Até bem há pouco tempo, as TED (como eu tão carinhosamente gosto de as chamar, e para mim eles são meninas, há quem lhes chame o TED) faziam parte de uma comunidade fechada à malta das tecnologias, nerds da multimédia, cinema, engenharia e aos mais conceituados designers e pensadores do mundo. No entanto, derivado das maravilhas da internet, as TED estão agora ao dispor de TODA a gente. Existe o site oficial claro: www.ted.com, e existe o canal no Youtube das TEDtalks."
E porque vos estou a falar disto de novo? Porque agora, além de poderemos ver as conferências pela internet, elas estão a passar na Sic Radical (Hell yeah!). Iniciativa que só posso louvar, vindo de uma canal que tem vindo a crescer e a desenvolver a sua estratégia claramente jovem, radical e alternativa. A sua programação tem vindo a tornar-se para mim cada vez mais útil, mais pertinente e de qualidade. E por isso escrevo hoje em jeito de retorno, só para lhes agradecer e congratular a escolha programática tão inteligente.

As coisas acontecem de forma engraçada. Estava eu no meu novo ginásio a descobrir as maravilhas das máquinas com televisão e canais da TV cabo quando paro na Sic Radical, simplesmente por não conseguir mudar de canal e voilá! TED Talks a dar. Valeu a pena ir ao ginásio só por isso, e andar na passadeira...

Em jeito de reminiscência, como aliás tem sido todo este post, deixo-vos com a minha TEDTalk favorita. A senhora Elizabeth Gilbert está na ordem do dia, talvez agora já muitos de vocês a conheçam melhor. É a autora de Eat, Pray, Love (Comer, Orar, Amar), aquele livro que agora tem um filme de mesmo nome com a Julia Roberts e o Javier Bardem. E não julguem já esta TED por esta apresentação, não se fala praticamente do livro, mas sim do processo criativo. Vale mesmo a pena ver, a sério tentem. Nem que seja para não sofrer a duplicar por mais uma tentativa falhada de dar a conhecer ao mundo este fantástico momento de 18 minutos.




Para os interessados, podem ver os nomes dos oradores e as temáticas das conferências aqui.

segunda-feira, outubro 4

Poetas Andaluces

Primeira Música do Dia (04/10)

Quando era miúda, enquanto os meus amigos e colegas ouviam a Cidade FM, eu destacava-me da típica adolescente porque ouvia a Nostalgia, o agora Radio Clube Português. Não me recordo bem se foi nos tempos da Nostalgia ou se do RCP, mas lembro-me de uma época em que passavam esta música com alguma regularidade. Não é propriamente uma música que agrade a um jovem, sendo que se trata de uma música revolucionária espanhola. E sim, eu ouvia isto e adorava. Foi sempre uma música da qual não me recordava, à qual não ouvia por livre vontade, mas sempre que ela regressava, me fascinava e encantava. Porquê? Não sei bem, mas tenho queda para este tipo de coisas.
A tão característica musicalidade de revolução é sempre chamativa, apesar de na altura não perceber nada do que a música me dizia. Penso que este tipo de canções acabam por ser transversais a todos, ultrapassando as barreiras linguísticas, culturais, chamando as emoções. Já todos os povos viveram momentos desses, há sempre algo com que nos podemos identificar naqueles tempos antigos e que tanto marcam as gerações de hoje. É uma música "à 25 de Abril", pensava eu. Acho que são as vozes do coro em repetição lá atrás, sempre no mesmo ritmo, que mais me fascinam, é o que dá força à música.

"Poetas Andaluces de Ahora", interpretada pelos Agua Viva, a letra é um poema de Rafael Alberti, um importante escritor e poeta Espanhol que viveu 38 anos em exílio, devido ao regime Franquista.
Ora aí está música de revolução! Que história, para além daquela que conseguimos perceber pela letra, estará a música a contar? Sobre que pessoas, que vidas e que momentos? Esse misterioso significado, perdido no tempo, que está intrinsecamente ligado a este tipo de canções é o que realmente me cativa nelas. São nostálgicas, remetem para esse estado de espírito.
Eu sou nostálgica por natureza, e este tipo de músicas funcionam como íman para mim. É como se eu pudesse ficar parada ali naquele tempo, no passado, que é onde gosto de estar, onde sinto esse "estado melancólico causado pela falta de algo" mas que realmente não me falta, porque nunca estive lá na realidade, nunca foi meu.
Cada vez mais penso, o quanto o nome da rádio se adequava, às musicas e a mim. De uma rádio chamada Nostalgia vinham as músicas certas para uma rapariga nostálgica.

Fica a música e a letra em baixo. Espero que gostem.




¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres

terça-feira, setembro 28

O Ser «humeano»

"Esta mulher, ao transformar-se em todas as pessoas por quem passava, perdia-se a si própria, tornava-se ninguém. Esta mulher com milhares de rostos, máscaras, personae - como se sentiria neste remoinho de identidades? Exactamente naquele momento o acumular de pressões, tanto nela como nos outros, estava a aproximar-se rapidamente do ponto de explosão. De súbito, desesperada, a mulher dirigiu-se a um beco (...). Aí, parecendo estar violentamente enjoada, expeliu, de forma tremendamente acelerada e abreviada, todos os gestos, posturas, expressões, todo o reportório comportamental das últimas quarenta ou cinquenta pessoas por quem tinha passado. Foi como se estivesse a «vomitar», a «expelir» as identidades das pessoas que a tinham possuído.

Estes «supertourétticos» devem encontrar-se numa posição existencial extraordinária, mesmo única, não por sua culpa mas por causa de um subterfúgio orgânico. Posição essa que tem algumas analogias com a do violento «super-Karsakov» [síndrome neurológica caracterizada por sintomas de amenésia] (...). O karsakoviano, felizmente, não tem consciência do que se passa, mas o touréttico, apercebe-se da sua condição com uma ironia e perspicácia dolorosas e talvez finais (...). O paciente com uma síndrome Korsakov é guiado pela amnésia, pela ausência, enquanto que o paciente com uma síndrome de Tourette é guiado por um impulso extravagante, um impulso do qual ele é, ao mesmo tempo, o criador e a vítima, um impulso que ele pode repudiar mas do qual não se consegue desfazer. Ele é iludido, seduzido, assaltado por impulsos interiores e exteriores, impulsos orgânicos e convulsivos mas também pessoais (ou antes, pseudopessoais) e sedutores. Como consegue o ego suportar este bombardeamento? A identidade sobreviverá? Ou será subjugada, transformar-se-á numa «alma tourettizada»?

Hume escreveu: "Aventuro-me a afirmar que não somos mais do que um molho ou colecção de sensações diferentes que se sucedem com uma rapidez inconcebível num fluxo e movimento perpétuo."
Isto não é, evidentemente, o que se passa com um ser humano normal porque nós possuímos as nossas próprias percepções. Não são um mero fluxo, são nossas, unidas por uma individualidade permanente. Mas o que Hume descreve pode ser precisamente o caso de um ser instável como o supertouréttico, cuja vida é, até certo ponto, uma sequência de percepções e movimentos aleatórios ou compulsivos, uma agitação irreal, sem centro nem sentido. Neste aspecto é mais um ser «humeano» do que um ser humano."

in "O homem que confundiu a mulher com um chapéu" - Oliver Sacks

terça-feira, setembro 21

Oliver Sacks blow to the head disease

"Maybe that car accident we had, gave me some weird
Oliver-Sacks-blow-to-the-head-disease."


by Brenda in Six Feet Under

Curioso como as coisas se encontram e cruzam. Talvez não saibam, mas há uma paixão em mim que se chama Oliver Sacks, um neurocirurgião inglês, o senhor do excerto que ainda à poucas horas postei aqui.

Adoro os livros, os temas (neurologia e as síndromes mais estranhas à face da terra), a maneira como fala e explica, mas adoro sobretudo a sua humanidade. É fascinante a sensibilidade que tem perante uma área e meio tão científico, clínico, diria até lógico e racional que tende a ser frio. Toca e deixa-me com uma vontade enorme de o conhecer.

Leiam os livros dele (sempre com nomes tão sugestivos e caricatos) que vos garanto que passarão a encarar alguns aspecto da vida de maneira diferente. Como é tão fácil que nos seja mudado o ângulo de visão, a perspectiva com que vemos e encaramos as coisas. É incrível, como tantos outros seres têm planos de visão, perspectivas tão amplamente diferentes de nós, e como vivem tão normalmente na sua realidade como nós vivemos na nossa. Penso que isto é o cerne central dos seus livros.

Não estão a perceber nada pois não? Sugiro-vos o "Um antropólogo em Marte" ou o livro actual de minha leitura "O homem que confundiu a mulher com um chapéu". Delicioso.

A frase com que começo este post, iniciou o último episódio (acabado de ver) de Six Feet Under - também uma paixão, ainda que recente. Em sintonia, numa onda de "a ficção imita a vida real", uma das personagens saí-se com uma referência deliciosa sobre este senhor, que me é tão querido, e que poucas horas antes tinha citado. Coincidência? Ironia. Como eu adoro ironias.

Excesso

"Como é irónica a expressão «perigosamente bem». Exprime precisamente o paradoxo, a duplicidade de se sentir «bem de mais».
O excesso é simultaneamente um dom e um flagelo; provoca simultaneamente deleite e angústia. Os pacientes com mais capacidade de introspecção sentem este paradoxo. «Tenho energia a mais», disse um doente com a síndrome de Tourette, «as coisas têm brilho a mais, impacte a mais. É uma energia febril, um brilho mórbido.»
«Perigosamente bem», «brilho mórbido», uma euforia enganadora que esconde abismos negros. É esta a armadilha que o excesso estende, quer seja o excesso natural sob a forma de uma desordem intoxicante quer seja um excesso pessoal sob a forma de um vício excitante."

Oliver Sacks in "O homem que confundiu a mulher com um chapéu"

domingo, setembro 19

Salada de fruta

Entre blogs e histórias, cantigas e CDs, guitarras e à capelas, coscuvilhices e cafés, vamos contando nas entrelinhas os desejos e expondo as feridas, num registo mais sério mas escondido, disfarçado, e que rapidamente é "esquecido". É este o nosso tom, o registo em que andamos. São curtos os tempos e os espaços estranhos, mas são momentos seguros e com valor. Sabemos disso e guardamos cá dentro, são registos que vão crescendo.

Em hora tardia mas antes do tempo, o carro segue rumo de volta a casa, sempre com cantigas e parvoeiras, músicas antigas mas cheias. O carro pára em frente à casa e com despedida breve seguimos caminho, mas fica sempre a sensação que isto é para durar, que é pena não acontecer mais vezes. O tempo é sempre ocupado e a desculpa muito grande, mas é assim que sabemos viver um com o outro, com pouca distância mas grande. Que isto é coisa que já tem história, já é do antigamente, pois há coisas que ficam e são para sempre.

(Eu juro que não estava a tentar fazer com que isto rimasse...não consegui, parece parvo!).

terça-feira, agosto 10

Comigo nunca mais.

É assim, eu não sei quem é que me apresentou a mim mesma. Não sei quem achou que nos iríamos dar bem, que fossemos ser excelentes parceiras para as férias. Quem achou isso, achou muito mal. Nós não nos estamos a dar nada bem. Estou farta de mim mesma, e não acredito que tenho que passar o resto da semana de férias comigo. E penso que ela também não esteja a gostar muito disso.

Preciso lá eu de me dar com alguém que me meta para baixo! Para isso já eu tenho muita coisa. Raios parta a rapariga, que só pensa, pensa, pensa e pouco fala. Quando o faz, não é nada de produtivo.
"Então vamos dar uma volta?" Sugiro eu. E ela "epá não sei bem, é capaz de ser fixe mas o programa na televisão também está a ser interessante". Eu fico a ver a TV comigo mesma, mais uma vez, e atraso a saída. Depois lá seguimos nós, já tardiamente, para o que quer que haja lá fora, só porque é diferente e não é a casa. Mas diga-se, lá fora também temos que conviver uma com a outra. Há quem me diga: "vai à praia". Pois claro que sim. Praia é fixe, se não tivesse que ir com ela.

Sinceramente, para o ano não caio mais nesta. Férias comigo, nunca mais.
E se eu estou farta de mim mesma, quem mais me vai aturar? Mas a sério peguem em mim, e deixem a outra para trás que com ela não quero ir a mais lado nenhum. Juro-vos que Eu só eu, valho bem a pena.

sexta-feira, julho 30

Em homenagem a...



"Daqui a 100 anos, a população actual do mundo estará morta. Os nossos familiares, os nossos amigos, os nossos filhos. Eu e tu.
7 mil milhões de seres humanos desaparecerão para sempre. Todos caminhamos para a luz, até lá... VIVE."

Nunca é demais realça-lo. Até sempre, e nunca deixem nada por dizer.

quarta-feira, julho 28

It's a sin

Primeira Música do Dia (28/07)

Acordei com esta música a passar na rádio. Gosto dela. Porquê? Não faço a mínima, gosto da voz, do ritmo e arranjo musical tão característico do anos 80. Acho que é principalmente por isso que gosto dela. Sinceramente nunca lhe tinha ligado muito. Ouvia na rádio e passava um bom bocado enquanto a música tocava. Por isso, nem sequer tinha alguma vez prestado atenção à sua letra. Não é nada de esplendoroso, não é especial. Mas é uma letra curiosa. Talvez nos possamos identificar ali em algumas subtis partes. Uns mais que outros claro. Eu nem por isso.

"At school they taught me how to be
So pure in thought and word and deed
They didn't quite succeed"

Fica o vídeo tão tipicamente 80's. Os cenários estranhos, e as narrativas um pouco non-sense. É também demasiado parado para um vídeo clip. Chega a ser secante, ver o homem tanto tempo ajoelhado em frente à fogueira e a cantar para câmara. Aproveitem, fica a letra em baixo também.





(Twenty seconds and counting...
T minus fifteen seconds, guidance is okay)

When I look back upon my life
It's always with a sense of shame
I've always been the one to blame
For everything I long to do
No matter when or where or who
Has one thing in common, too

It's a, it's a, it's a, it's a sin
It's a sin
Everything I've ever done
Everything I ever do
Every place I've ever been
Everywhere I'm going to
It's a sin

At school they taught me how to be
So pure in thought and word and deed
They didn't quite succeed
For everything I long to do
No matter when or where or who
Has one thing in common, too

It's a, it's a, it's a, it's a sin
It's a sin
Everything I've ever done
Everything I ever do
Every place I've ever been
Everywhere I'm going to
It's a sin

Father, forgive me, I tried not to do it
Turned over a new leaf, then tore right through it
Whatever you taught me, I didn't believe it
Father, you fought me, 'cause I didn't care
And I still don't understand

So I look back upon my life
Forever with a sense of shame
I've always been the one to blame
For everything I long to do
No matter when or where or who
Has one thing in common, too

It's a, it's a, it's a, it's a sin
It's a sin
Everything I've ever done
Everything I ever do
Every place I've ever been
Everywhere I'm going to - it's a sin
It's a, it's a, it's a, it's a sin
It's a, it's a, it's a, it's a sin

terça-feira, julho 20

Primeira Música do Dia (20/07)

Peço desde já desculpa pela PMD (Primeira Música do Dia) que se segue. É tudo culpa do modo shuffle do meu iPod. E a primeira música do dia é a primeira música do dia, não se pode fugir a isso.

Segue um oldie da banda sonora do filme Grease. E não é que de todas as músicas, foi calhar aquela que é capaz de ser a pior e mais fraquinha de todas. Enfim... acho que me vou aproveitar do facto de ser um clássico (e um clássico é um clássico afinal de contas) para explicar esta presença tão estranha e bizarra. No entanto, e em alguma defesa, no fundo, a música toca vários pontos chave do que o filme fala: Ai a vida dos jovens adolescentes com os seus sonhos e problemáticas da puberdade. Quem já não passou por isso?

Vá, sem mais rodeios aqui vai: "There are Worse Things I Could Do" - com vídeo, que é para não ser tão assustador.



Música de rima fácil hein!

quarta-feira, julho 14

A Primeira Música do Dia

Eis que chega a nova "categoria" do blog, intitulada de A Primeira Música do Dia.
A partir de hoje vou tentar colocar aqui, a primeira música que oiço em cada dia. Oiço é como quem diz: ponho a tocar no meu MP3 ou no fabuloso Grooveshark ou mesmo no rádio do carro. Portanto, a coisa vai variar muito de estilos porque vai ser mesmo o que me apetecer ouvir, e eu até oiço um pouco de tudo. Quero lá saber se é rasca, ou antigo demais, ou deprimente. É essa a piada da coisa.
Aviso já que sou de pancas, e que por isso, quando agarro uma coisa é bem capaz de ser só aquilo durante uns meses, mas não se preocupem que vou tentar não ser muito repetitiva.
Quer isto dizer que nem todos os dias vou postar A Primeira Musica do Dia, até porque haverão dias em que não vou ter tempo, ou que não me vou lembrar, ou que simplesmente não pus nada a tocar. Há dias assim sim (lol song title!).

Aviso já que isto não é nem pouco mais ou menos, nem tenta ser, e muito menos tem ambições de ser uma série de posts super entendidos de música e de opinião e blá blá blá. Não! Portanto não venham criticar o que é bom ou não é, que isto é mesmo só a primeira música do dia ok?? Literalmente, não passa disso.
Eu sou de moods e portanto funciona assim: se estou num mood calmo e melancólico, epá vem para aí montes de música suave e instrumental. Estou nostálgica, (acontece mesmo muuuitas vezes) então vem montes de piano e coisas tristes e deprimentes. Estou alegre e com energia, não se admirem de ouvir por aqui Mika. Enfim...and so on, and so on...

Para estrear, segue pois está claro, a panca da actualidade. Aquilo a que gosto de chamar "a mais recente paixão musical", que é....Florence and The Machine (ainda estou a tentar ultrapassar o facto de não ter visto o concerto do principio por causa da m**** da fila. Anyway...). A música segue em baixo acompanhada da respectiva letra. E é tipo linda! Pronto é este o único o tipo de opinião critica musical que vão ter por aqui lol. Enjoy!


A falling star fell from your heart
and landed in my eyes
I screamed aloud, as it tore through them,
and now it's left me blind

The stars, the moon,
they have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day, I'm always in this twilight
In the shadow of your heart

And in the dark, I can hear your heartbeat
I tried to find the sound
But then it stopped, and I was in the darkness,
So darkness I became

The stars, the moon,
they have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day, I'm always in this twilight
In the shadow of your heart

I took the stars from our eyes,
and then I made a map
And knew that somehow I could find my way back
Then I heard your heart beating
you were in the darkness too
So I stayed in the darkness with you

The stars, the moon
they have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day, I'm always in this twilight
In the shadow of your heart

The stars, the moon
they have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day, I'm always in this twilight
In the shadow of your heart



Julgavam que ía sair daqui a Rabbit Heart não? Pois... não! Mas bem que podia ser.

domingo, junho 27

Distante

Sinto-me distante, solta e à parte, sem me integrar no todo. Não pertenço aqui, nem a este grupo, a estas pessoas, a estes locais, e noites. Estou só eu e a minha mente, distante, ao que parece de todas as outras mentes. A minha, e as outras todas, chocam entre si sem saber bem porquê, nem compreender a inacreditável frequência com que isso acontece.

Só gostava de o perceber, ter uma razão, um histórico em que me basear. Era mais fácil para ultrapassar e deixar passar o tempo. Porque o tempo tudo sara e esbate e tudo se resolve.

Por agora há por aí muitos nós emaranhados ainda por resolver. Há que dar o primeiro passo se os outros não os dão primeiro. Ele há-de vir, só que ainda não foi agora nem será amanhã. Deixa passar um tempo então, até vir a coragem e o esgotamento da situação te pressionar a agir e fazer algo. "A falar é que a gente se entende", mas falar é tão difícil. É preciso o tempo de maturação.

Que demore ela a chegar então, que eu estou cá para a esperar, mais nada. Ora a vida está aqui para se ir vivendo, até lá vamos então sorrindo, e continuar a ficar presa ao bloco por um triz esvoaçante, sempre segura para não me perder, mas ainda assim sempre distante.

segunda-feira, maio 24

“I have looked into the eye of this island, and what I saw was beautiful”

Antes de mais, é para pôr esta música a tocar.



Primeiro é preciso nos perdermos para nos voltarmos a encontrar. A vida é peculiar, e segue a sua linha irónica. Tal como há quem pense que “não há coincidências”, para mim as ironias parecem ter ainda mais significado.

Há uma fase que está acabar. “O fim é sempre um bom princípio”. Essa fase está a acabar e parecia faltar um último elemento para a sua conclusão. Todos os astros se alinham de vez em quando. O culminar de alguma coisa é sempre único e espectacular, ainda bem que estou viva para sentir os culminares que houver para ver e participar.

O fim das fases tem um sabor agridoce. Agridoce nem sequer é a descrição. Agridoce é doce demais. Mas estava na hora, porque a hora certa é aquela que nos parece tão natural como necessária quando chega.

Eu sei que essa hora chegou. Estou preparada somente para aquilo que o meu interior me permite estar. Mas não tenho medo, as coisas não projectadas são as que mais têm importância. Aqui entra a ironia.

Acredito que na vida, nascemos e voltamos a renascer por várias vezes. Eu morri e renasci, mas as cinzas ficaram. A pessoa que vêem agora está viva. Eu assisti ao meu próprio cessar, e no entanto, eu reconstruí-me. A base é a mesma, nada se começa do nada, trata-se de uma acumulação. Há cinzas que ficam, outras que vão, as minhas cinzas já voaram quase todas. Umas vão por cá continuar, as outras hão de ser levadas pelo vento.

Chegou a ventania que me vai levar o último elemento, para "a biblioteca das recordações". É para lá que elas vão. Eu aceito, porque é a hora. E em jeito de despedida, escrevo.

Há quem não perceba a importância, diriam desmedida, que dou à minha série de sempre: LOST. Mas estão a ver só a superfície. É uma simples série, é uma história, é uma ficção. Tal como os livros. E como cada livro, tem que acabar. Lost está a acabar, e com ele também vai uma parte da minha vida. O ciclo completa-se, e tudo em aberto que ainda haveria por fechar do meu EU que cessou, será fechado. "Tudo o que for aberto, tem que ser fechado".

Agora que Lost vai acabar, estou completamente pronta para isso, porque agora também acabou a minha fase anterior por completo. Sou feliz e confiante, gosto de onde estou e quem me tornei. Lost começou há muito tempo a acompanhar-me, e por ironia, ou não, acaba agora para colmatar esta fase da minha vida. Vai ajudar-me concluir e a deixar de vez para trás aquilo que ainda me prendia. Era a ultima coisa da antiga Marta que ainda se mantinha. Quando for embora mais nada irá restar. E por mais triste ou penoso que isso possa parecer, já estava na hora. Por isso só tenho que agradecer, encarar o final como uma confidência e ironia que a vida me está a dar. É um pequeno sorriso que ela me dirige, um mimo, uma brincadeira.

Mas não estamos a falar de Lost pois não? É só uma mera série, é inegável a importância que teve na minha vida, quer a percebam ou não, não dá para fugir a isso. Daí a ter que ter este respeito pela série e eterno carinho. Porque fez parte de mim, é uma grande parte da pessoa que sou hoje. Não podemos fugir às nossas partes.

A série acompanhou-me durante 4 a 5 anos, os melhores e mais significativos da minha vida. Portanto, não, não é só de uma série que estamos a falar. É do que ela representa. Representam esse percurso extremamente enriquecedor, duro e de crescimento. Lost acompanhou-me, e trouxe-me muitos bons momentos. Distraiu-me dos meus problemas, fez-me sentir viva. E disso não me posso esquecer. Não posso desvalorizar. Quando falo de Lost não estou a falar de Lost, estou a falar do que essa fase foi, do que representou, do que aconteceu, estou a falar de mim. Era só isso que gostava que compreendessem.

Este post é a minha derradeira despedida, daquele Eu que cessou, do qual não tenho vergonha, que está agora guardado na “biblioteca das recordações”. Esse Eu faz parte de mim, e sempre fará, é graças a ele que sou quem sou hoje. Hoje quando Lost acabar, depois da mágoa da despedida vou chorar e fechar os olhos, e quando os abrir "Vou fazer parte de um mundo novo".

Para que percebam a grandeza da série, e como uma pequena homenagem da minha parte, ficam alguns registos fotográficos, gráficos acerca da Série. Mais uma vez é inegável a importância que Lost teve no mundo, vários foram os artistas (plásticos ou gráficos) inspirados pela série, e várias foram as peças construídas por eles. Fiquem com umas quantas (certamente haverão muitas mais) de cartazes feitos por designers gráficos sobre a série. Alguns deles, não me importava nada de os ter. Uns com registos sérios, outras em tom de brincadeira, vale a pena ver o que uma série de culto é capaz de fazer.


























Podem ver estes e mais posters, ou outro tipo de trabalhos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Segue-se a despedida a todos aqueles que cresceram dentro de nós durante 6 anos: os actores, as personagens. Afinal de contas foi por elas que tão fielmente seguimos a série até ao fim. Aquele grupo bem querido nos nossos corações, que tiveram que aprender a viver juntos “Live together, die alone”, que deram um significado completamente diferente ao “we have to go back” e ao “We’re not supposed to leave”. Porque “they were meant to be hear”.

Com muito carinho e saudades deixo-vos com umas quantas fotografias escolhidas por mim, que acho um amor. Algumas são muito fofas e deixam já um amargo aperto de saudade no coração. Servem para mais tarde recordar. Daqui a uns bons anos, vamos olhar para trás e ver estas mesmas fotografias e senti-las tão longe no tempo. A nostalgia irá certamente instalar-se e vai ser como estarmos a olhar para um álbum antigo de aventuras de amigos. Pelo menos é assim que eu vou olhar para elas.































Ai estes três... I'm gonna miss you.

"Todos nós perdemos coisas a que damos valor. Oportunidades perdidas, possibilidade goradas, sentimentos que nunca mais voltaremos a viver. Faz parte da vida. Mas dentro da nossa cabeça, pelo menos é aí que eu imagino que tudo aconteça, existe um quartinho onde armazenamos todas essas recordações. E a fim de compreendermos os mecanismos do nosso próprio coração temos de ir sempre dando entrada a novas fichas. Volta e meio precisamos de limpar o pó ás coisas, deixar entrar o ar, mudar a água das plantas. Por outras palavras, cada um vive para sempre fechado dentro da sua própria biblioteca." - Haruki Murakami, in "Kafka à beira-mar"


A minha “biblioteca” está pronta para receber mais uma ficha. Que esta vida de agora corra como tiver que correr até ter que cessar novamente. Quando chegar essa altura, uma nova despedida estará à minha frente, mas de todas as vezes que isso acontecer só vou precisar de dizer: "See you in another life brother".